Terapia online

Terapia online funciona mesmo? O que dizem as evidências

A pergunta é legítima e merece resposta honesta, incluindo a parte em que o online não é a melhor opção.

O que a pesquisa mostra

Revisões sistemáticas e meta-análises publicadas ao longo da última década convergem para uma conclusão: para a maioria das demandas, como ansiedade, depressão, estresse e dificuldades de relacionamento, a psicoterapia realizada por videochamada apresenta resultados comparáveis à presencial.

A explicação faz sentido clínico. O que faz a terapia funcionar não é a partilha do mesmo espaço físico, e sim a aliança terapêutica, a consistência das sessões e a adequação do método à demanda. Esses três fatores se sustentam por vídeo.

O que a lei brasileira exige

O atendimento psicológico online no Brasil é regulamentado pela Resolução CFP nº 11/2018. Ela não é uma permissão vaga. Ela estabelece obrigações. As principais:

  • O psicólogo precisa ter cadastro e-Psi aprovado junto ao Conselho Regional para atender online
  • A plataforma usada precisa garantir sigilo das informações
  • O profissional deve avaliar se a demanda é adequada ao formato remoto e encaminhar quando não for
  • Registro e guarda de prontuário seguem as mesmas regras do presencial

Vale conferir se o profissional que você procura tem o cadastro e-Psi. É um requisito, não um diferencial.

Onde o online ganha

  • Constância. Sem deslocamento, a chance de faltar cai bastante. E constância é o fator que mais influencia resultado.
  • Acesso. Quem mora em cidade menor da região, tem mobilidade reduzida, cuida de filhos pequenos ou trabalha em escala se beneficia diretamente.
  • Continuidade. Mudou de cidade, entrou de férias, foi transferido? O processo não precisa recomeçar do zero com outro profissional.
  • Ambiente próprio. Algumas pessoas se abrem mais no próprio espaço do que em uma sala desconhecida.

Onde o presencial ganha

Sendo justa com os dois lados:

  • Quando não há privacidade em casa. Se você não tem um cômodo onde possa falar sem ser ouvido, o online vira um obstáculo, porque você se censura.
  • Em quadros graves ou de risco. Ideação suicida ativa, surtos psicóticos, quadros que exigem monitoramento próximo pedem presencial e rede de cuidado integrada.
  • Crianças pequenas. Boa parte do trabalho com crianças passa por brincar, desenhar e manipular objetos. A tela limita isso.
  • Quando o vínculo custa a se formar. Algumas pessoas simplesmente conectam melhor presencialmente. É uma informação clínica válida, não uma falha.

Como aproveitar melhor uma sessão online

  1. Escolha um cômodo com porta que feche. Fone de ouvido ajuda muito.
  2. Teste a conexão antes. Prefira cabo ou fique perto do roteador.
  3. Silencie notificações do celular e do computador.
  4. Reserve 10 minutos depois da sessão. Sair da terapia direto para uma reunião corta o processamento do que foi trabalhado.
  5. Tenha água por perto e um caderno para anotar o que quiser lembrar.

E se eu quiser experimentar os dois?

É perfeitamente possível, e bastante comum, combinar. Algumas pessoas fazem sessões presenciais quinzenais e online nas semanas intermediárias. Outras começam presencial para formar vínculo e migram para online depois. A modalidade é ferramenta, não dogma.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento profissional individualizado. Em caso de sofrimento intenso, procure um psicólogo, um médico ou ligue para o CVV (188).

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